sábado, setembro 17, 2005


O segredo

O nosso segredo é só nosso
Está muito bem guardado
A sete chaves fechado
Num cofre escondido na cave

É uma coisa estranha, irreal
Que o comum do mortal
Não pode sequer imaginar
Se o fizesse diria
Que somos doidos varridos
Mesmo perigosos bandidos
A precisar de re-educação
Talvez em campo de concentração

Mas não é caso para vergonha
Só que o assunto é tão esquisito
Que escandaliza qualquer um
O segredo afinal é simples:
É o que eu sei de ti
Mais o que tu de mim sabes
Posto em manual operativo
Com instruções detalhadas
Do que devemos fazer
Nas noites de Lua cheia
Quando está praia mar
E o farol se acende
Para dar bom rumo aos navios
Que querem chegar a bom porto
Mas que temem os baixios.

Este é o nosso segredo
Mas ninguém o pode entender.


quarta-feira, setembro 14, 2005


Despertar

Esta manhã despertei
Com um braço em cima de ti
Abri um olho e notei
Nos teus olhos a olhar para mim

Eram de jaspe profundo
E miravam ternamente.
Só então eu reparei
Na minha perna sobre a tua
Bem enrolada, abraçada
Em forma de quarto de lua

Senti um seio teu
Colado contra o meu peito
E a pele do teu ventre
Nectarina toda nua

Depois, admirado vi
Que os nossos pés se cruzavam
Um dedo então mexi
E teus pés mexeram também

Estávamos mais que abraçados
Presos, grudados, colados
Lapa eu e tu a rocha
Eu o cão e tu o osso.

Veio-me então o desejo,
Irresistível, poderoso
De te dar uma dentada
Delicada, no pescoço.