sábado, dezembro 03, 2005


Canção dos álamos

Gosto de ouvir os álamos
São expressivos, eloquentes
Usam múltiplas linguagens
Para me falar de ti
São mensageiros do vento
Leêm a humidade do ar.

Pela manhã falam claro
pois estão vivos e despertos
Ao meio dia sonolentos,
São só gemidos, sussurros
À tardinha preguiçosos
mal terminam as frases

Gosto de ouvir os álamos
São árvores sabedoras
Sabem das ondas do mar
e de quem nelas se perde.

Conseguem enganar o tempo

Eles falam, o tempo pára

Dizem-me tudo de ti
Mais que os écrans ou as teclas
Se estás saudosa e tristonha
Se estás alegre e risonha
Qual a côr da tua alma
Se pensas naquele acidente
Que te fez tanto medo
e que não te sai da mente
Ou se agora já estás calma

e respiras serenamente.
Queres ouvir um segredo?
Entendem tudo o que eu digo
E sabes como falo dificilmente

terça-feira, novembro 29, 2005



Vejamos

Vejamos,
Achas que sou tristonho
Misterioso, nocturno, felino

É possível.
Afinal vivo aqui no farol
Entre rochedos e mar
Entre gaivotas e bruma

Sabes,
Por vezes imagino coisas
Bichos que saem do mar
E invadem o farol
Para me dizerem coisas
Mas isso são outras histórias

Que de noite te vou contar

Escuta,
Tu sabes tanto de mim
Das minhas mãos, das linhas e dos dedos
Do meu coração, grande, a rebentar
Da minha pele, dos poros e das rugas
Da minha cabeça, das fantasias e medos
Da minha alma, com lastro a carregar.

Então pronto,
Sabes tudo o que vale a pena
O resto podes inventar