sábado, janeiro 28, 2006




O pudor do sentimentos

Existe o pudor dos sentimentos
Aqueles que estão nas profundezas profundas
Existe o pudor das coisas íntimas
E nada há mais íntimo que um beijo
Existe o pudor do desânimo
E tu sabes que a tristeza é centrípeta
Que puxa para o centro de gravidade
Aí onde se concentra todo o peso,
o do corpo e o da alma
Por vezes as palavras não chegam
É necessário dominar o traço, as cores, os sons
(Eu que domino mal as lágrimas
Tu que dominas mal o riso)

Os gestos podem ajudar
Os naturais , não os estudados
Gestos expressões de afectos

Senão, fica o silêncio, não faz mal
Pois pode ser tão eloquente
Não há que ter medo dele

quinta-feira, janeiro 26, 2006


Abraçar o vento
O vento foi mensageiro
Trouxe aquela boa nova
Que ajuda a respirar
A encher o peito de ar
A fundir corpo com espírito
E isso mesmo é que é respirar :
Casar o corpo com o espírito
Bem sei, não desesperávamos
Mas esperávamos outros ventos
Para sulcar outros mares
E conhecer outras ilhas
Mas agora não é tempo de mar
Mas de terra, de terra fértil
Que faz germinar as sementes
Inchar os gomos e nascer as folhas
Sim, agora é o tempo da terra.
Foi essa a notícia que o vento
Mandou dizer pelos choupos
Há que premiar o mensageiro
Fazer festas, sorrir, abraçar
Sim, há que abraçar o vento
Ele foi claro, transparente, expedito
Pois é,ele foi expedito

domingo, janeiro 22, 2006





Vamos entender
Vamos entender o que dizem as cartas
A roda da fortuna, o ermita e a morte
Vamos mostrar se pode ler e tresler
Que desenhamos as linhas da mão
Que construímos a carta astral
Bem à nossa medida
Cada dia cada hora
Que as diferenças são força
Que os iguais são banais
Que o Adamastor é impotente
Que surfamos qualquer vaga
Que cavalgamos o mistral
Que passeamos no Himalaia
Que encontramos uma agulha
Mesmo no fundo do mar
Que dormimos no deserto
E o sono é reparador
Pois repara todas as dores
As do corpo e as da alma
Que falamos com animais
E que eles nos compreendem
E, mais importante de tudo,
Que os outros são só outros