sábado, abril 21, 2012

Curso de  desenho, por alguém que não sabe desenhar 1

Desiludido com a alma dos homens, o Homem do Farol (que não sabe desenhar) inicia hoje um curso de desenho dedicado ao invólucro, à embalagem, ao exterior dos homens.
Uma primeira lição sobre porporções e a incompreensível questão da perpectiva.
Os followers interessados em desenho deverão praticar, não sendo contudo necessário colocar o modelo/parceiro em qualquer embalagem de cartão. 





Uma cena de fado


(um piscar de olho à máquina especulativa)


Ele era um bom rapaz trabalhador 
Um operário leal cumprindo bem
Vinte anos de ilusão brotando em flor
E uma eterna afeição por sua mãe


Mas um dia os companheiros
Levaram-no a uma taberna onde parava
A malta de vadios desordeiros
Dos quais um à guitarra assim cantava

Raul Ferrão





segunda-feira, abril 16, 2012

Uma moça desafiadora

Mesmo quando ela tirava toda  a roupagem ninguém sabia quem era verdadeiramente aquela rapariga. Nem ela própria


sábado, abril 14, 2012

Aforismo de Hilton Valeriano
"A arte é o invólucro da verdade."

(mesmo das estranhas verdades arquitectónicas
das ilustrações do Homem do Farol) 



Aforismo de Hilton Valeriano

"A arte é a forma visível da representação."
(mesmo as ilustrações singelas e toscas do Homem do Farol)


terça-feira, abril 10, 2012

O secreto Mirante

A pendente começava após as palmeiras, volteava entre paredes ocres descarnadas. Os grafittis  eram marcos da terra que orientam a descida pela calçada portuguesa até Batafá.


domingo, abril 08, 2012

O ascensor do Lavre

No relevo acidentado de Lisboa sabemos que o que se faz depois de subir é descer, para estar sempre à mesma cota.



A Força

A força vem de todas as vezes que não seguiste caminho que pensavas que era o teu e tiveste de seguir o caminho que no fim das contas foi o teu.

quinta-feira, abril 05, 2012

Corvo

Com capa negra
e nariz espetado
caminha como um marinheiro
balouço tenebroso
desenhado a carvão
sempre ao lado da fêmea
um nada sabe sem o outro
e vomita para alimentar os filhotes
como um pai humano dá aos filhos
 pensamentos digeridos



 
Epigrama de Hilton Valeriano
 
Marta, não saberia dizer
do amor sua verdade.
Apenas sua condição.
O que desejamos que seja:
dádiva congênere da Natureza!
 
 

Victor Hugo

"A melancolia é a felicidade de estar triste."





Comentador


Comenta a dor de todos
Diz coisas para tu ouvires
Olha-te mil vezes ao espelho
Ensaia, repete, repete
Entra nas entranhas da gente
Enche-te com elas
Regala-te
Come tudo
Põe um ar moderno
Negligé
Tipo lenço do casaco
Ou brilhantina ad libidum
Ouve-te bem
Com atenção
Fala para ti,
Só para ti
Porque já não há banda
Já não há público




domingo, abril 01, 2012

"Arrugas": Uma obra a ver por todos os que se interessam pelo futuro
Epigrama de Hilton Valeriano que o Homem do Farol  ilustrou com as rugas da Falésia

Semeiam as vagas a inconstância e o porvir.
Pranteiam as flores o efêmero jardim.
Porém, com vagos e remotos sonhos,
celebram, os insanos, a glória de serem humanos.




sábado, março 31, 2012

O Quiosque

O coreto
Já não faz falta
já  não há banda
está obsoleto.
O quiosque
farol pequeno
e com chapéu
ainda tem graça
vende ilusões
desesperançadas
a quem por ali passa
e pensa
que a fortuna é metal
e que metal é fortuna.
Ilusionados!
Mais valiam
as ilusões
que no coreto
animavam
almas e corações.






 

Se chorares no meu Funeral nunca mais te falo
Stan Laurel

Epigrama de Hilton Valeriano

Marta, preciso é o tempo a recobrar sua lição.
Assim a complacência dos gestos e sua missiva.
Circunscrito no horizonte da palavra
o amor é mais que uma definição.


E sou do que fui

"E sou já do que fui tão diferente
Que, quando por meu nome alguém me chama,
Pasmo, quando conheço
Que ainda comigo mesmo me pareço."


Camões

quarta-feira, março 28, 2012

António Tabucchi
(Falecido em Lisboa em Março de 2011)
"Os artistas são os bombeiros dos incêndios da democracia"



segunda-feira, março 26, 2012

Arriscar o futuro no presente

A verdadeira generosidade relativamente ao futuro consiste em tudo dar ao momento presente.

Albert Camus