Cada cabeça só depende da luz ou melhor, de onde vem a luz. O resto são todos os pequenos detalhes que fazem as diferenças: não há duas orelhas iguais e os desenhistas que se prezam não desenham duas orelhas iguais.
Desenhar é sentir tudo o que se vê.
Blog de mar, bruma, estrelas, falésias, maresia, marés, luas, sal, ondas e golfinhos.
sexta-feira, abril 27, 2012
quinta-feira, abril 26, 2012
Curso de desenho por alguém que não sabe desenhar 3
A figura masculina tem os músculos das pernas bem visíveis , numa posição tipo o guerreiro do Yoga. A mulher faz uma ligeira torção e a perspetiva da perna direita é enganadora. Mas o que está completamente falhado é o braço direito
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Curso de desenho por alguém que não sabe desenhar 2
O tronco é aquilo que liga tudo. É errado começar a desenhar pela cabeça. A cabeça é a apenas a esfera que se apoia nos ombros, as asas do tronco.
No tronco, mais masculino ou mais feminino, mais cárneo ou mais redondo , importa reparar na torção. Compreender a torção é compreender todas as formas e as maldades do Mundo.
O tronco é aquilo que liga tudo. É errado começar a desenhar pela cabeça. A cabeça é a apenas a esfera que se apoia nos ombros, as asas do tronco.
No tronco, mais masculino ou mais feminino, mais cárneo ou mais redondo , importa reparar na torção. Compreender a torção é compreender todas as formas e as maldades do Mundo.
sábado, abril 21, 2012
Curso de desenho, por alguém que não sabe desenhar 1
Desiludido com a alma dos homens, o Homem do Farol (que não sabe desenhar) inicia hoje um curso de desenho dedicado ao invólucro, à embalagem, ao exterior dos homens.
Uma primeira lição sobre porporções e a incompreensível questão da perpectiva.
Os followers interessados em desenho deverão praticar, não sendo contudo necessário colocar o modelo/parceiro em qualquer embalagem de cartão.
Desiludido com a alma dos homens, o Homem do Farol (que não sabe desenhar) inicia hoje um curso de desenho dedicado ao invólucro, à embalagem, ao exterior dos homens.
Uma primeira lição sobre porporções e a incompreensível questão da perpectiva.
Os followers interessados em desenho deverão praticar, não sendo contudo necessário colocar o modelo/parceiro em qualquer embalagem de cartão.
Uma cena de fado
(um piscar de olho à máquina especulativa)
Ele era um bom rapaz trabalhador
Um operário leal cumprindo bem
Vinte anos de ilusão brotando em flor
E uma eterna afeição por sua mãe
Mas um dia os companheiros
Levaram-no a uma taberna onde parava
A malta de vadios desordeiros
Dos quais um à guitarra assim cantava
Raul Ferrão
(um piscar de olho à máquina especulativa)
Ele era um bom rapaz trabalhador
Um operário leal cumprindo bem
Vinte anos de ilusão brotando em flor
E uma eterna afeição por sua mãe
Mas um dia os companheiros
Levaram-no a uma taberna onde parava
A malta de vadios desordeiros
Dos quais um à guitarra assim cantava
Raul Ferrão
segunda-feira, abril 16, 2012
sábado, abril 14, 2012
terça-feira, abril 10, 2012
domingo, abril 08, 2012
quinta-feira, abril 05, 2012
Comentador
Ensaia, repete, repete
Entra nas entranhas da gente
Enche-te com elas
Regala-te
Come tudo
Põe um ar moderno
Negligé
Tipo lenço do casaco
Ou brilhantina ad libidum
Ouve-te bem
Com atenção
Fala para ti,
Só para ti
Porque já não há banda
Já não há público
Comenta a dor de todos
Diz coisas para tu ouvires
Olha-te mil vezes ao espelhoEnsaia, repete, repete
Entra nas entranhas da gente
Enche-te com elas
Regala-te
Come tudo
Põe um ar moderno
Negligé
Tipo lenço do casaco
Ou brilhantina ad libidum
Ouve-te bem
Com atenção
Fala para ti,
Só para ti
Porque já não há banda
Já não há público
domingo, abril 01, 2012
sábado, março 31, 2012
O Quiosque
está obsoleto.
O quiosque
farol pequeno
e com chapéu
ainda tem graça
vende ilusões
desesperançadas
a quem por ali passa
e pensa
que a fortuna é metal
e que metal é fortuna.
Ilusionados!
Mais valiam
as ilusões
que no coreto
animavam
almas e corações.
O coreto
Já não faz falta
já não há bandaestá obsoleto.
O quiosque
farol pequeno
e com chapéu
ainda tem graça
vende ilusões
desesperançadas
a quem por ali passa
e pensa
que a fortuna é metal
e que metal é fortuna.
Ilusionados!
Mais valiam
as ilusões
que no coreto
animavam
almas e corações.
quarta-feira, março 28, 2012
segunda-feira, março 26, 2012
quinta-feira, março 22, 2012
terça-feira, março 20, 2012
terça-feira, março 13, 2012
quinta-feira, março 08, 2012
quarta-feira, março 07, 2012
terça-feira, março 06, 2012
domingo, março 04, 2012
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
(Ainda há) Operário em Construção
Foi dentro dessa compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele nao cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Excercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
Vinicius de Moraes
Foi dentro dessa compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele nao cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Excercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
Vinicius de Moraes
domingo, fevereiro 26, 2012
quarta-feira, fevereiro 15, 2012
terça-feira, fevereiro 14, 2012
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
domingo, fevereiro 12, 2012
Uma foto azul tirada no Farol
O Meu Olhar Azul como o Céu
O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta ...
Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo...
(Mesmo se nascessem flores novas no prado
E se o sol mudasse para mais belo,
Eu sentiria menos flores no prado
E achava mais feio o sol ...
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso...)
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos
Heterónimo de Fernando Pessoa
O Meu Olhar Azul como o Céu
O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta ...
Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo...
(Mesmo se nascessem flores novas no prado
E se o sol mudasse para mais belo,
Eu sentiria menos flores no prado
E achava mais feio o sol ...
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso...)
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos
Heterónimo de Fernando Pessoa
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azul,
Fernando Pessoa
Um Manifesto
A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo à descartabilidade midiática. Tudo muda no ritmo vertiginoso da moda, colocada à serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje, quando o único que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, são tão voláteis quanto o capital que as financia e o trabalho que as gera. O dinheiro voa na velocidade da luz: ontem estava lá, hoje está aqui, amanhã quem sabe onde, e todo trabalhador é um desempregado em potencial.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota assim como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem pausa, no mercado. Mas, para qual outro mundo vamos nos mudar?
Eduardo Galeano
A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo à descartabilidade midiática. Tudo muda no ritmo vertiginoso da moda, colocada à serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje, quando o único que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, são tão voláteis quanto o capital que as financia e o trabalho que as gera. O dinheiro voa na velocidade da luz: ontem estava lá, hoje está aqui, amanhã quem sabe onde, e todo trabalhador é um desempregado em potencial.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota assim como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem pausa, no mercado. Mas, para qual outro mundo vamos nos mudar?
Eduardo Galeano
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