sábado, outubro 01, 2005


Agora

Agora que já está claro
Onde estás e onde eu estou
E que é certo e seguro
Que os dois estamos aqui,
Percebemos que caminhar
Não é pôr um pé diante do outro
Mas sim a cada passo deixar
Que raízes cresçam nos pés
Descontraindo os músculos tensos
E endireitando bem a cabeça
Por fio preso no céu

quinta-feira, setembro 29, 2005



As tuas mãos

Mãos discretas, lindas, quadradas
Lisas, suaves, agradáveis ao tocar
Com linhas ténues, pouco marcadas
Para com muita atenção observar

A palma da mão é bem proporcionada
Não denota amplitudes chocantes
Não deves portanto ficar admirada
Por não teres aventuras delirantes

Monte de vénus presente, generoso
Arredondado ,duro, bonito
Capacidades no plano amoroso
Te dirá um quiromante expedito

Monte de júpiter bem visível
És expansiva, alegre, previsível
Basta conhecer-te para o saber
Não é preciso ao quiromante recorrer

Monte de marte quase ausente
És pacífica ,não gostas de brigar
Busca a harmonia sinceramente
Procurando aos outros não magoar

A linha da vida é bem comprida
É certo que serás linda velhinha
É visível que a vida será bem vivida
Não tens de ter medo de estar sòzinha

Linha da cabeça direita, regular
Sem cortes, é uma linha depurada
Não há dúvida tens a cabeça no lugar
És de inteligência aguda e apurada

Ao examinar a linha do coração
Confirmo o que está escrito no céu
Nem tudo se vê na palma da mão
Mas este traço aqui, bem fundo, sou eu

segunda-feira, setembro 26, 2005




Vento Levante

Quando sopra o vento levante
E nós vamos pelo areal
As marcas dos nossos pés
Leva-as o vento e o mar
O ar assim sufocante
Pinta a tua pele de bronze
E tece os pontos da tela
Salgada pelas gotas de água
Que o levante rouba às ondas

Quando sopra o vento levante
Ouve-se o som das sereias
Que contam histórias estranhas
De polvos e de baleias
E de homens que morrem no mar
E das mulheres que por eles esperam
Vestidas de negro a chorar

Quando sopra o vento levante
Há mais espuma no mar
Que fica na areia esquecida.
Tocas nela com os pés
Fazendo da espuma ar
Com ligeiros pontapés
Como que a dar voltas à vida

Quando sopra o vento levante
O próprio ar é mais leve
O sol é tão intenso
Que tens de fechar os olhos.
Cada duna é uma estrela
Tanta luz é escuridão
Usamos então o tacto
Para ver bem um ao outro
E para sentir a maresia
Abrimos todo o olfacto

Quando sopra o vento levante
O mar fica de outra cor
Azul cobalto temperado
Com carneirinhos de branco
Todos para o mesmo lado

Quando sopra o vento levante
De mãos dadas no areal
Sinto-me mais teu amante
Teu cúmplice, teu igual

domingo, setembro 25, 2005


Corações

Há corações tão grandes que só vemos a metade
Há corações tão frios que gelam corações que os tocam
Há corações bem pequenos, que parece que não há coração
Há corações ónix, nada se pode vislumbrar
Há corações de areia, um toque os faz ruir
Há corações de madeira , não vão ao fundo na água
Há corações que são ar, nunca os podemos tocar
Há corações de chumbo, querem mas não conseguem fugir
Há corações de fumo das cinzas onde arde a mágoa
Há corações desesperados, amarram-se a qualquer coração

O teu coração é fogo, mas não me queimo ao tocar
O teu coração é água nele quero mergulhar