sábado, outubro 15, 2005





LA LLORONA


De todas as histórias que o homem do farol contava a "ELA" nas longas noites de inverno em que o vento uivava e as cagarras gritavam, a de "la llorona" era a que mais medo lhe causava. "ELA" sentia arrepios e sabia que teria insónias nessa noite :

Uma mulher muito jovem e pobre vivia numa aldeia de pescadores. Um homem, mais velho, belo e rico passava quase todos os dias à sua porta. Contudo ele pouco reparava na mulher e nunca lhe dirigia a palavra, talvez por ela ser jovem, talvez por ela ser pobre, ou talvez por ele ser soberbo e indiferente.

Um dia a mulher vestiu um vestido vermelho, decotado, enfeitou o peito com uma rosa, perfumou-se, colocou pintura nos olhos e saíu de casa no momento em que via o homem subir a rua. Ele olhou-a fixamente com aqueles olhos negros, tirou-lhe a rosa do decote e estendeu-lhe a mão.

Passou a visitá-la todos os dias descobrindo assim os segredos do corpo de mulher jovem.

Passado algum tempo casaram, e os dois viveram nessa casa de pescadores. Porém esse período foi breve. O homem voltou a passar mais tempo na casa onde antes vivia, longe dali, e visitava a mulher sempre que precisava dela. A jovem sentia o amante, outrora arrebatado e quente cada vez mais distante.

Pensando que o poderia fazer voltar para ela como dantes fez com que tivessem filhos.Durante três anos seguidos nasceram um menino e duas meninas. Era a forma que ela encontrava para prender o marido, agora já que o seu corpo não era de jovem e tinha esgotado os seus segredos para fazer com que os corpos se encontrassem.

Mas o homem estava cada vez mais ausente, deixando-a sòzinha, com as três crianças que passavam o dia na praia, mal vestidas e com fome.

Um dia em que o mar estava alterado e o céu carregado de nuvens, o homem veio de barco , como habitualmente fazia e disse que vinha buscar as crianças, não as deixava mais ficar com a mãe naquelas condições.

Pegou nelas , uma de cada vez e colocou-as no barco que se encontrava na água fustigado por ondas alterosas.

A mulher quando viu que o barco se fazia ao mar atirou-se à água, tentando levar desesperadamente as crianças para terra.

Mas aproximava-se a sétima onda, enorme do tamanho de uma montanha. Caíu em cima do barco,, o mar levou as três crianças e o homem. A mulher debateu-se nas ondas mas o mar devolveu-a à praia.

Desde esse dia que se passeia na areia, para cá e lá chorando.

As crianças gritam lhe "llorona , llorona", mas fogem quando ela se aproxima pois sabem que ela os persegue para lhes ver a cara pensando se trate de algum dos seus filhos entretanto devolvido pelo mar.

Os homens tem medo de aproximar daquele vulto escuro. Já vários desapareceram naquela praia, talvez engolidos pelo mar.

Meia dúzia de almas
Assim é o meu egoísmo
A minha distância
O meu desprendimento
Só poucas coisas me interessam:
As ondas, o vento suão,
As pedras de lava
As folhas a dançar no ar,
Meia dúzia de almas
E um só corpo, o teu

quinta-feira, outubro 13, 2005




As Pedras

Fazer entrar a energia
Aí no centro vital
A meio do baixo ventre
Pensar na respiração
Bem profunda mas serena
O último ar inspirado
É já o primeiro expirado

Olhar a linha do horizonte
Nem acima nem abaixo
Descansar todos os músculos
Deixar que as palavras-farpas
Te atravessem sem tocar
E que as palavras- cerejas
Adocem sem te estragar

Todos os caminhos são bons
Mas o do ser e não ser
Ao mesmo tempo, escurece,
Apaga a luz das manhãs

Assim se tropeça em pedras
No meio de qualquer trilho
Pedras que são para evitar
Mesmo sem ter destino
Só pelo prazer de saltar
E percorrer um caminho

Sabendo bem o que se quer
E também o que não se quer
E eu quero-te inteira
Ou não te quero para nada

quarta-feira, outubro 12, 2005





Marcas

Ficam sempre tantas marcas
Daquilo que nós fazemos
Imateriais, invisíveis
Mas indeléveis na alma

terça-feira, outubro 11, 2005


Sei

Sei que sentiste o yin e o yang

Em todos os fusos da tua pele

Que viraste as sensações do avesso

Que todos os gostos estão na natureza

Que o arco íris só tem sete cores

Mas que cada cor tem mil matizes