quinta-feira, novembro 17, 2005


Aqueles breves instantes

Aqueles breves instantes
Em que os teus olhos buscam os meus
Quando chegas no avião
E eu te espero ansioso, escondido
No meio da pequena multidão
Aqueles breves instantes
Em que as nossas mãos se tocam
Ao de leve, no momento da despedida
E tu partes noutro avião
Aqueles breves instantes
Quando acordo e te vejo
E sinto os cheiros da noite
Aqueles breves instantes
Em que não controlas o riso
Por uma tontice qualquer
E em sintonia rebentamos
Como crianças a rir
Todos esses instantes
Breves, sem história nem idade
Todos juntos, bem contados
, adicionados,
Constroem a eternidade

domingo, novembro 13, 2005



Podia ser Ulisses

Podia ser Ulisses, navegando no teu mar
Descobria coisas estranhas
Reparava nas sereias
Regressava incógnito
E dizia: "Penélope, és minha"

Podia ser o Zorro, impertinente e audaz
Com uma máscara negra
Fazia estalar o chicote, espectacular
Alegre e fanfarrão
Mas só para te impressionar

Podia ser D. Quixote, com a sua triste figura
Sem peito nem ombros
Viajando entre moínhos e poesia
Carregado de amargura
De olhar alucinado

Podia ser o Minotauro, de narinas ofegantes
Hirsuto e animal
Escondido no labirinto da vida
Capaz de te esquartejar
Povoando os teus sonhos

Mas sou o homem do farol
Que ouve o vento e o mar