quinta-feira, dezembro 15, 2005


Há palavras que são mar

Há palavras que são mar

Em dia de mar sem vagas
Capazes de apaziguar
Os tormentos do coração.
Acalmam as tempestades,
Apagam as distâncias
E quebram a solidão.
Há palavras que têm asas
Voam na fantasia
Na fronteira da loucura
São um estímulo definitivo
Para o outro lado do espelho
Há palavras de vedor
Encontram água no deserto
Quando balbuciadas
Ao ouvido e na penumbra
Há palavras de balança
Que pesam os prós e os contras
Ficam-se pela razão
Não chegam ao coração
Há palavras de toureiro
Feitas de golpes de cintura
Daquelas para enganar
Mas que sabem a fruta madura
E há as minhas palavras
Secretas, codificadas
Que só o teu ouvido entende

domingo, dezembro 11, 2005


Nena

Agora é o tempo da geada
Da névoa, da humidade
Da noite às quatro da tarde
Das auto-estradas de bruma
Do tapete de folhas no chão
e das árvores todas nuas.
Só os carvalhos resistem
saudosos das alegrias do Verão
É o tempo do ermita,
do monge, da solidão.
Mas repara bem,
sob o tapete de folhas,
uma semente já mexe
um bolbo já desperta.
E repara ainda melhor:
Os gomos da magnólia
Bem inchados, quase a abrir
Só esperam um raio de Sol
Para começar a florir