
Há palavras que são mar
Há palavras que são mar
Em dia de mar sem vagas
Capazes de apaziguar
Os tormentos do coração.
Acalmam as tempestades,
Apagam as distâncias
E quebram a solidão.
Há palavras que têm asas
Voam na fantasia
Na fronteira da loucura
São um estímulo definitivo
Para o outro lado do espelho
Há palavras de vedor
Encontram água no deserto
Quando balbuciadas
Ao ouvido e na penumbra
Há palavras de balança
Que pesam os prós e os contras
Ficam-se pela razão
Não chegam ao coração
Há palavras de toureiro
Feitas de golpes de cintura
Daquelas para enganar
Mas que sabem a fruta madura
E há as minhas palavras
Secretas, codificadas
Que só o teu ouvido entende
