domingo, janeiro 15, 2006


"Los carasapo"

Múltiplos Adamastores imprevisíveis

Que em certas noites sombrias
Fazem estremecer nossas almas
A pele é de batráquio e de cetáceo
Em proporções bem combinadas
Saem do mar, avançam pela areia
E sabem onde nos encontrar
Há mesmo quem diga que estão dentro de nós
Fazem um ruído ensurdecedor
Entre o riso da hiena e o cantar da baleia
Intérpretes de todos os medos
Tenores das mais estranhas ameaças

Para essas noites temos o nosso farol
Tróia inexpugnável
Blindada, bem defendida, barricada
O foco serve então para ver
E já não para ser visto
E o amor é mesmo assim
Serve também para isto.


Disseste
Disseste: vou para outra cidade,
quando voltar a estas ruelas,
os meus olhos serão outros olhos.
Pensaste: Seduz-me o mais além .
Lembraste um verso:
Só vou por onde me levam os meus próprios passos
Pensaste de novo: sei que lá é diferente,
tem todos os tons do cinzento,
e não tem mar, aquele mar ,
Mas sabes que cinzento é uma côr
e uma cama pode ser um oceano

Se o Adamastor aparecer,dirás:
Não há medo que vença
o fado e a vontade ao mesmo tempo

Trazes contigo o cheiro do bosque, ónix nos olhos
A tua própria pele e o sabor a baunilha

À chegada dirás: Que bem conheço esta casa