sexta-feira, abril 07, 2006


Vive

Vive só no presente e usa a ciência de sentir,
que não é ciência nenhuma.
As coisas são o que são, o tempo não é medida.

Ninguém tem régua e compasso das coisas.
Assim, só fica a marca dos sapatos na areia,

o fumo do charuto no ar,
o vapor do abstinto na sala
o aroma do café na manhã

e o sabor de cada beijo.


Eles sentiam

Eles sentiam aquela sensação de estar a mais. De ser demais. De querer mais , mas não saber o mais que se quer.
Era difícil a comunicação. Só entre eles, com siglas, códigos senhas, metáforas.
Sabiam que uma bola de certo acerta na outra. Essa atinge uma outra . Mas a partir daí, qual bate em qual, nínguem pode saber. A incerteza , o acaso, a sorte , o azar, o fado, a sina.