quinta-feira, fevereiro 15, 2007


Quatro mil anos depois


O dia tinha corrido mal para este homem. Voltava à noitinha e só tinha colhido uns cogumelos e umas magras raízes, nada mais. Quando entrava na cabana sentiu o cheiro familiar e viu a mulher que alinhava uns objectos rudimentares no chão. Sentiu o corpo a aquecer.

Quatro mil anos depois, no mesmo local, outro homem regressava do trabalho, após um dia cheio de tensões e apreensões. Ao entrar no apartamento sentiu o perfume da mulher, e reparou como as suas ancas balançavam quando arrumava uns livros que se encontravam sobre a mesa. Sentiu o corpo a aquecer.

2 comentários:

sa.ra disse...

felizmente para ambos havia uma mulher...

felizmente para elas, havia o olhar deles...

felizes aqueles que se olham assim e aquecem, para além dos dias, dos anos, dos séculos...

adelaide amorim disse...

Gostei de seu texto. Muito. Abraço.