sábado, março 11, 2006


Disseste tu

Não sei porque estranha telepatia,
Por que ondas do além
Uma pele se mete na outra
O ouvido traduz vibrações
A alma fica transparente
O farol trespassa o nevoeiro

Não sei porque estranha telepatia
O que é bom não é tão bom
Quando é só vivido a sós
e temos de esperar cada espera

Não sei porque estranha telepatia
Ficamos os dois mais seguros
Quando as provas foram prestadas,
Os obstáculos saltados
E o que há para provar está provado

domingo, março 05, 2006


Te peso una mica


Assim,
Com a cabeça apoiada nos joelhos
Os pés um pouco elevados
Deixando a gravidade trabalhar
Sem opôr força a essa força
Relaxando todos os músculos
E ficando bem assente no chão
Neste chão que nos segura e que nos tem
Assim,
Os orgãos ganham mais espaço
Libertam-se das tensões
O sangue circula melhor
Irriga todos os tecidos
Chega a todas as células
Limpa a poluição
Então,
Respirar ganha sentido

e a mente penetra no corpo
toma consciência do corpo

Só se pensa no que é importante:

Que somos pequena parte do todo

Let it go, let it go

Já atravessámos

Já atravessámos alguns rios
Já passámos algumas pontes
Fomos de uma margem à outra
Olhando a água a correr por baixo.
Passámos o Iguassu verde, revolto
Com ruídos ensurdecedores
Onde todo o ar é espuma
E toda a espuma é água
Encharcando quem se aproxima
Pejado de jacarés, ameaçadores
Já atravessámos o Tejo, azul
Sulcado por gaivotas que são cacilheiros
Atravessámos o Hudson, cinzento
Olhámos os megalitos, desafiadores
Do lado de lá de Metropólis.
Tudo isso fizémos de mãos dadas
(é bom passar pontes de mãos dadas)

Mas eu , sózinho, com o vento que corta a pele,
Triste e durante noites a fio
Passei o Potomac, onde os índios felizes navegavam
Para vender coisas ao Homem Branco
No tempo em que os rios eram as únicas estradas
E tudo parecia fácil
E não eram precisos faróis.

Mas agora, tudo é diferente:

É melhor dar as mãos
E buscar a luz dum farol
Pois faltam passar muitas pontes