segunda-feira, setembro 25, 2006



Um dia diferente

Num dia diferente dos outros o homem tivera direito a uma importante lição.Disseram-lhe:
" Não deixes a tua mente saltitar demasiado. Tens de a habituar a ser só observadora, principalmente observadora de ti mesmo, do teu corpo , da tua alma.
Não esqueças também que a respiração é que liga o corpo com a alma.

O homem fechou os olhos e concentrou-se uns momentos na sua respiração. Ouviu que o ar inspirado e expirado fazia um som que, traduzido em palavras dizia distintamente: "sou o que sou, sou o que sou..."


Mais do que nunca

Mais do que nunca ele entendeu o significado da trégua. Sabia que tinha de saborear, cada beijo, cada grama de ar respirado, cada toque, cada olhar, mesmo cada silêncio , desde que fosse presença.

Flor de Sal

A camisa azul celeste era porosa, de algodão de tela grossa. A lágrima alastrou com o mesmo efeito da água das ondas na areia da praia deixando a flor do sal à flor da pele.


O autoretrato

Era um triângulo, ele, o espelho e a tela.Tentava escrever a história das rugas, das brancas.Tentava compreender as assimetrias do rosto, reproduzir olhos aguados. Através dos olhos pensava chegar à alma e às suas cicatrizes. Só que esse trabalho era impossivel de fazer em solitário.

Mal sabia

Mal sabia o homem que nesse preciso momento uma rapariga de jeans e saco ao ombro lhe propunha os termos exactos de uma trégua: Apagavam-se uns fantasmas, realizavam-se outros.




Quarto mezzaninna

Quarto mezzanina, era assim que era anunciado. E mais não era dito. Nada referia a roupa em desalinho sobre a cama, as pregas sensuais dos lençóis, as abuarcas prontas para o passeio, a salamandra curiosa, o romance caído no chão. Enfim , o anúncio nada dizia sobre a alma daquele quarto.

O menino azul

Lembrava-se de quando era o menino azul. Nesse tempo não era de azul que cheira a maresia, nem de azul da água do oceano profundo.
Era azul frio, azul distância, o azul eco da sua própria voz.

domingo, setembro 24, 2006




Os Dias passavam

Os dias passavam assim: procurava um sentido, uma direcção, um caminho mas era tarefa difícil pois de dia o Sol não despontava e de noite a estrela guia não aparecia. Procurava encontrar as pedras mais lisas, mais estáveis e seguia caminhando por cima da espuma do mar, por cima da espuma dos dias.
Já todos andámos assim, nas rochas, buscando onde pisar, sentindo os salpicos da água.