sábado, janeiro 06, 2007




O assassino de carrer Pahissa



A polícia estava desorientada: Não havia móbil, nem roubo, nem ciúmes, nem vigança, nem ajustes de contas, enfim qualquer dessas coisas que fazem uns homens querer mal a outros. Mas a vítima aí estava com a garganta cortada, por cima do sangue já negro.
O bairro pacato agitava-se inventando as hipóteses mais assombrosas. A inquietação invadia as ruas, outrora calmas e seguras.










sexta-feira, janeiro 05, 2007




Então o mar disse




Então o mar disse: "É agora, chegou o momento de recuperar o que é meu ! Acabarão os passeios no molhe dos amantes e dos tristes, desaparecerão os pescadores e os corpos jovens deitados na areia."


O mar tem esse direito, não há nada que dizer. E mais longe, muito mais longe, encontraremos aquele ponto em que o mar, a areia e o céu se fundem numa só coisa.

segunda-feira, janeiro 01, 2007


Atira-te ao rio



Imagina uns enormes lençóis prateados, a perder de vista, bem lisos. Uns sobem ou seja inspiram, outros descem, ou seja expiram todo o ar interior. Imagina todas as luzes da cidade-luz reflectidas nesses lençóis-espelho.

Agora imagina que sombras de casas desertas , de guindastes, de chaminés, de velhas fábricas dançam sobre os lençóis. Tudo isto banhado por aquele azul-estranho que só vem áquela hora, naquele sítio.

Já imaginaste? Então não esperes mais, atira-te.Não há melhor maneira de começar um ano.