sábado, setembro 03, 2011

Quero

(excerto de Carlos Drummond de Andrade. Um dia 
terá a leitura do poema completo no Homem do Farol)
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

... e em alemão do tradutor maquinal, para aumentar a confusão! 
Wenn Sie mir nicht sagen, dringend wiederholt
I love love love love love,
fulminanten Wahrheit, die Sie zu entwirren,
Ich stürze ins Chaos,
Diese Sammlung von Objekten der Nicht-
Liebe.




sexta-feira, setembro 02, 2011

A Vida

A vida devia ser assim, um passeio a dois na direção dum alvo incandescente que nunca te queimava.

quarta-feira, agosto 31, 2011



Cântico Negro
José Régio  em castelhano
  Ven por aquí!” — me dicen algunos con ojos dulces,
Estendendo-me los brazos y seguros
De que estaría bien que los oyese
Cuando me dicen: “Ven por aqui”!
Los miro con ojos fatigados,
(Hay, en mis ojos, ironías y cansancios)
Y cruzo los brazos,
Y nunca voy por allí...
Mi gloria es ésta:
¡Crear deshumanidad!
No acompañar a nadie.
—Que yo vivo con el mismo desgano
Con que rasgue el vientre de mi Madre.
¡No, no voy por ahí! Sólo por donde
Me llevan mis propios pasos...
¿Si a lo que busco saber ninguno me responde
Por qué me repetis: “ven por aqui”?
Prefiero resbalar por sucios callejones,
Reovolotear en los vientos,
Como harapos, arrastrar los pies sangrientos,
A ir por ahí...
¡Si vine al mundo, fue
Sólo para desflorar selvas vírgenes,
Y dibujar mis propios pies en la arena inexplorada!
Lo más que hago no vale nada.
¿Cómo, pues, seríais vós
Los que me déis impulsos, herramientas, y coraje
Para que yo derribe mis obstáculos?...
¡En las venas os corre sangre de los abuelos,
Pero amáis lo que es fácil!
Yo amo la Lejanía y el Espejismo,
Amo abismos, desiertos y torrentes...
¡Id! tenéis caminos
Teneis jardines, y canteros,
Tenéis patrias, y techos,
Y reglas, y tratados, y filósofos, y sabios.
¡Yo tengo mi Locura!
Y la levanto, antorcha, que arda en la noche oscura,
Y siento espuma, y sangre, y cantos en los labios...
Dios y diablo me guían, nadie más.
Todos tuvieron padre, todos tuvieron madre;
Pero yo, que me empiezo ni acabo,
Nací del amor que hay entre Dios y el Diablo.
¡Ah, que nadie me dé piadosas intenciones!
¡Nadie me pida definirme!
¡Nadie me diga: “ven por aquí”!
Mi vida es un vendaval que se soltó.
Y una la que se alzó.
Y un átomo más que se animó...
No sé hacia donde voy,
No sé hacia donde voy:
¡Sé que no voy por ahí!

terça-feira, agosto 30, 2011

Mi ninã Lola, a interpretação mais quente do mundo
 Concha Buika


Paul


Elsa e Mary




domingo, agosto 28, 2011

No Vale de Aran 10

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

Mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

"Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


Fernando Pessoa


No Vale de Aran 9 (Obrigado Hilton)

Esta vida
Um sábio me dizia: esta existência,
não vale a angústia de viver. A ciência,
se fôssemos eternos, num transporte
de desespero inventaria a morte.
Uma célula orgânica aparece
no infinito do tempo. E vibra e cresce
e se desdobra e estala num segundo.
Homem, eis o que somos neste mundo.


Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.


Um monge me dizia: ó mocidade,
és relâmpago ao pé da eternidade!
Pensa: o tempo anda sempre e não repousa;
esta vida não vale grande coisa.
Uma mulher que chora, um berço a um canto;
o riso, às vezes, quase sempre, um pranto.
Depois o mundo, a luta que intimida,
quadro círios acesos : eis a vida


Isto me disse o monge e eu continuei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.


Um pobre me dizia: para o pobre
a vida, é o pão e o andrajo vil que o cobre.
Deus, eu não creio nesta fantasia.
Deus me deu fome e sede a cada dia
mas nunca me deu pão, nem me deu água.
Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa
de andar de porta em porta, esfarrapado.
Deu-me esta vida: um pão envenenado.


Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver,
dentro da própria morte, o encanto de morrer.


Uma mulher me disse: vem comigo!
Fecha os olhos e sonha, meu amigo.
Sonha um lar, uma doce companheira
que queiras muito e que também te queira.
No telhado, um penacho de fumaça.
Cortinas muito brancas na vidraça
Um canário que canta na gaiola.
Que linda a vida lá por dentro rola!


Pela primeira vez eu comecei a ver,
dentro da própria vida, o encanto de viver.

Guilherme d'Almeida